Studio Ghibli, a IA e a banalização da arte
- Ale Nagado
- há 8 horas
- 3 min de leitura
Atualizado: há 7 horas
Algumas considerações sobre a febre da IA que emula o "estilo Ghibli".

Recentemente as redes sociais foram invadidas por imagens feitas por IA que emulam o traço do Studio Ghibli, mais precisamente o do diretor Hayao Miyazaki.
Essa explosão de imagens tratadas com o "filtro Ghibli" de IA talvez esconda algo mais do que o hype por tecnologia ou o desejo de seguir modas.
As artes no estilo de Hayao Miyazaki evocam uma atmosfera de paz e serenidade, com um toque de pureza infantil. Não é essa doçura e equilíbrio que as pessoas andam precisando desesperadamente, neste nosso mundo sombrio e caótico em marcha rumo ao abismo?
Pena que esse sentimento e essa busca ficam só no mundo digital.
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Dito isso, deixo claro que eu abomino essa banalização da arte que a IA promove. Quem não tem dinheiro para pagar um artista, que faça uma parceria com um que esteja em busca de divulgação e experiência, ou aprenda a usar softwares gráficos para manipular e criar imagens. Arte é trabalho e trabalho tem preço. Se dá valor, pague.
Quem usa esse filtro está ajudando a aperfeiçoar uma ferramenta que visa substituir o trabalho humano, acabando com o sustento de muitos artistas profissionais. Muitos artistas e autores japoneses já se manifestaram, todos contrários a essa modinha da IA.
É bem verdade que não se pode patentear um estilo, somente obras específicas, mas não é sobre isso que estou falando. É sobre IAs estarem sendo treinadas para dominar técnicas aplicadas, com potencial para eliminar profissões no campo artístico, tudo em nome do lucro e do mercado. Não é uma "nova ferramenta", é uma substituição de pessoas que antes operavam ferramentas de trabalho. Basta escrever um prompt corretamente e muitos artistas perderão trabalho, e passarão a depender de ajuda do governo, o que vai gerar mais controle social. A ciência visa mesmo melhorar a vida das pessoas em geral, ou somente dos grandes investidores do setor e dos poderosos do Estado?
"Ah, mas a criatividade humana ninguém substitui." Isso é fato, mas a maioria esmagadora das pessoas é medíocre, consome coisas niveladas por baixo e aceita quase qualquer coisa, desde que esteja levando vantagem.
Espero que nenhum seguidor meu seja da turma do "Fodam-se os artistas!", pois eu defendo a arte feita por humanos. Eu não vivo para exaltar o "deus-mercado", o "deus-dinheiro" ou o "deus-ciência". Todo mundo faz isso, mas "você não é todo mundo", como diziam nossos pais.
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Quem quiser entender minhas posições, convido a ler dois artigos no Sushi POP.
- Inteligência Artificial e o futuro da cultura pop: https://www.blogsushipop.com/post/inteligencia-artificial
- Inteligência Artificial, o fim dos dubladores e o declínio da arte como profissão: https://www.blogsushipop.com/post/ia-fim-dos-dubladores
Os dois artigos fazem parte do livro "Japão - O Império da Cultura Pop":
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